Sábado, Março 7, 2026
InícioCulturaHilda Salomão celebra 50 anos de arte com exposição gratuita no MAB

Hilda Salomão celebra 50 anos de arte com exposição gratuita no MAB

Em cartaz de 24 de outubro a 21 de dezembro, mostra “O Caminho de Volta – Andarilhos” vem acompanhada do lançamento do livro homônimo, que percorre meio século de arte, pesquisa e partilha de saberes

Em Hilda Salomão, o tempo não passa — ele se transforma. Como quem molda a própria existência com as mãos, a artista fez da cerâmica seu território de permanência e descoberta. Em 2025, ao celebrar 50 anos de trajetória artística, e 70 de vida, a ceramista e professora abre a exposição “O Caminho de Volta – Andarilhos”, no Museu de Arte da Bahia (MAB), com curadoria de Alejandra Muñoz, em cartaz de 24 de outubro a 21 de dezembro, com visitação gratuita, de terça a domingo das 10h às 18h. A mostra é acompanhada do lançamento do livro homônimo, que mergulha na poética, nos processos e nas memórias que atravessam a sua obra.

Reunindo 50 peças entre esculturas, painéis e instalações, a exposição não se propõe como retrospectiva, mas como reencontro — uma travessia simbólica entre o passado e o presente, em que a cerâmica se torna matéria de lembrança, rito e reinvenção. “Percebi que existia um caminho, e que esse caminho me levava de volta às imagens e expressões que sempre estiveram comigo”, conta Hilda. “É um olhar sobre o percurso — da menina que moldava o barro ao lado da mãe e da avó, à mulher que, aos 70 anos, ainda se surpreende com o fogo e a argila”, completa. A exposição será aberta no dia 23 de outubro, às 18h30, e inaugura a Galeria do Pátio, um novo espaço no MAB.

Hilda Salomão é uma das grandes referências da cerâmica na Bahia e no Brasil. Sua produção, marcada pela pesquisa e pela docência, amplia as fronteiras da chamada “arte do fogo”, transformando a cerâmica em gesto poético e linguagem viva. Ao longo de sua carreira, foi professora das Oficinas de Expressão Plástica do MAM-BA por mais de duas décadas, formou gerações de artistas e idealizou o projeto Mural Aberto, que levou a arte cerâmica a espaços comunitários, escolas, hospitais e feiras — reafirmando o compromisso entre arte e coletividade.

Retorno ao Caminho
Entre as obras expostas no MAB estão peças emblemáticas como “Andarilho”, “Senhora do Tempo”e “Procissão”, que sintetizam a espiritualidade e a densidade poética de sua produção. A curadora Alejandra Muñoz define a exposição como um “ritornelo” — conceito que, na filosofia e na música, expressa a ideia de retorno e recomeço. Em seu texto curatorial, Muñoz escreve: “Hilda refaz uma e outra vez seus repertórios de formas, transformando a repetição em caminho criativo. Sua obra é o gesto de quem retorna para seguir adiante”.

Mais do que uma celebração de meio século de arte, “O Caminho de Volta – Andarilhos” é uma declaração de permanência. Um convite para testemunhar a travessia de uma mulher que fez da argila o espelho de sua alma — e que, ao moldar o barro, moldou também a história da cerâmica baiana.

Livro
O livro “O Caminho de Volta – Andarilhos” será lançado no vernissage da exposição, no dia 23 de outubro. A obra conta com direção editorial de Dan Maior, da editora SobreGentes, e estará disponível para venda on-line. Nele, Hilda expande o olhar sobre sua trajetória, revelando bastidores, texturas e atmosferas de seu fazer artístico. A publicação reúne textos críticos e poéticos de nomes como Matilde Matos, Justino Marinho, Francisco Senna, Alejandra Muñoz, Ailton Lima, Aldo Tripodi, Calasans Neto e Udo Knoff, além de fotografias assinadas pela artista visual e fotógrafa Marta Suzi. “Este livro nasce do desejo de olhar para trás e perceber que tudo o que fiz está ligado por um fio invisível — um rio subterrâneo que, de tempos em tempos, emerge”, escreve a artista na introdução da obra.

Exposição e livro “O Caminho de Volta – Andarilhos” contam com patrocínio de GAM Arquitetos, parceria do Museu de Arte da Bahia, e apoio de Quatro Estações Decorações.

Linhagem feminina
Formada pela Escola de Belas Artes da UFBA, Hilda iniciou cedo sua relação com a cerâmica — herança de uma linhagem feminina que atravessa gerações. A avó, Autinha Boaventura Leite, e a mãe, Ângela Boaventura Leite Salomão, foram suas primeiras mestras. No ateliê familiar, entre fornos e pigmentos, a artista aprendeu o que mais tarde chamaria de “entusiasmo da criação”, força vital que a move até hoje. “O artista precisa de entusiasmo. O entusiasmo é o que nos faz sonhar, o que me faz levantar de madrugada para ver o forno aceso. É paixão e é resistência”, afirma Hilda Salomão.

“O trabalho com a cerâmica é um exercício de resiliência. Nem sempre o resultado é o que queremos, mas sempre é o que precisamos aprender. A argila nos ensina sobre o tempo, o erro, o recomeço. E é nesse recomeço constante que me encontro”, reflete a artista.

Serviço:
[Arte Visual] O Caminho de Volta – Andarilhos, de Hilda Salomão | Exposição e lançamento do livro
Local: Museu de Arte da Bahia – MAB (Av. Sete de Setembro, 2340 – Corredor da Vitória)
Abertura: 23 de outubro (quinta-feira), às 18h30
Visitação: de 24 de outubro a 21 de dezembro de 2025
Horário: de terça-feira a domingo, das 10h às 18h.
Entrada gratuita
Informações: @hildasalomao

RELATED ARTICLES

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

- Advertisment -
Google search engine

Most Popular

Recent Comments